Integração: mobilidade estudantil aproxima fronteiras no campus.
Eles vêm de todas as partes, seja da
região da
Serra Gaúcha, da fronteira do Estado, do Norte do
país ou do exterior
Autores como David Harvey falam do "encolhimento do
mundo", aquela sensação de que tudo ficou mais próximo
nos dias atuais. Ocorre que espaço e tempo perderam suas
configurações originais, muito porque os fenômenos que
surgiram com a mundialização - como a diluição de fronteiras,
o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e
informação e os meios de transporte - , estão cada vez mais
acentuados. Tudo isso acarreta mudanças na forma como
as pessoas circulam pelo mundo.
A mobilidade humana é um fenômeno antigo que marca
a vida em sociedade. Para cada período histórico, a mobilidade
se reproduz e expressa características próprias. De
acordo com a professora Vania Beatriz Herédia, coordenadora
do curso de Licenciatura em Sociologia da UCS e estudiosa
de assuntos que envolvem migrações, "nas últimas
décadas, identificam-se movimentos de população diferentes
de períodos anteriores, nos quais os indivíduos correm
atrás de estratégias para realizar seus projetos de vida, por
meio de fluxos migratórios."
Essas características estão presentes, também, na mobilidade
estudantil. "Seja internacional, nacional ou regional,
a mobilidade estudantil reflete que a distância dos territórios
diminui à medida que os interesses econômicos, políticos
e sociais prevalecem. Pode-se afirmar que a mobilidade
que existe hoje aproxima uma série de fronteiras, mesmo as
simbólicas que existiam em períodos anteriores e que eram
elementos de diferenças sociais, exclusão e desigualdade",
afirma a professora.
Cidadão do mundo
A transposição de fronteiras geográficas
é uma realidade para Nermin
Fazlagic, 23 anos. Na década de 90,
deixou a Bósnia, assim como milhares
vítimas da guerra que assolava o país
na época. O destino foi a cidade de
Verona, na Itália, local que proporcionou
uma nova vida a sua família. "Meu
coração é bósnio, mas minha cabeça
é italiana", resume o estudante.
Nermin veio da Università degli
Studi di Verona neste semestre, e
está realizando intercâmbio na UCS
no curso de Ciências Econômicas.
Essa não é a primeira experiência
dele como intercambista. De setembro
de 2010 a julho de 2011, ele esteve
na Izmir University, na Turquia. "Na
hora de escolher os destinos para intercâmbio,
dei preferência a lugares
distantes dos grandes centros." O
intercambista, que fala oito idiomas,
ressalta que o Brasil chamou sua
atenção, principalmente pela posição
econômica que ocupa na atualidade.
Ele, inclusive, está reunindo material
para seu trabalho de conclusão de
curso, que vai tratar sobre fontes renováveis
de energia.
A escolha pela UCS ocorreu porque
uma amiga fez intercâmbio na
Instituição e deu boas referências.
"Estou gostando muito daqui. O Campus
é grande, parece uma universidade
americana." O estudante ressalta,
ainda, que foi muito bem recebido.
"Achei interessante que, no primeiro
dia de aula, o professor pediu para
que todos se apresentassem, o que
não é comum lá na Itália", acrescenta.
Irmãos atravessam o país
Os irmãos Jhonattas, 22 anos, e
Débora Muniz de Souza, 24 anos,
não ultrapassam nenhuma fronteira
internacional. Mas a distância que
percorreram para chegar à Universidade
daria para cruzar vários países
europeus. Cerca de 3,4 mil quilômetros
separam os dois da sua cidade
natal, Monte Negro, em Rondônia, no
Norte do país. Eles estudam na UCS
desde o segundo semestre de 2009.
Jhonattas faz Engenharia Química e
Débora cursa Química – linha de formação
em Química Industrial.
Os dois são bolsistas do Programa
Universidade para Todos (ProUni). Na
hora da inscrição no programa do Governo
Federal, eles indicaram a UCS
entre as opções, devido a informações
passadas por um professor que
conhecia a Instituição.
Os irmãos já foram colegas em várias
disciplinas que são comuns aos
dois cursos. Eles são unânimes na
opinião sobre a estrutura que a Instituição
oferece. "Eu gosto da Universidade,
pois tem horários flexíveis e
laboratórios qualificados", acrescenta
Débora.
Em relação à diferença entre as
culturas do Norte e do Sul do país,
eles dizem que sentiram, no geral,
as pessoas com um comportamento
mais fechado por aqui. As diferenças
culturais surpreendem os dois
irmãos. "Admiro a preservação das
tradições que existe nesta região.
Lá em Rondônia fica mais evidente a
multiculturalidade do seu povo", explica
Jhonattas. "O conhecimento de
novas culturas amplia o nosso ponto
de vista", afirma Débora.
Os irmãos estão atuando na área
dos seus cursos em empresas de Caxias
do Sul. "A Universidade está inserida
em um polo industrial e o conhecimento
é focado, inclusive, para a
prática na própria região em que está
inserida", analisa o futuro engenheiro
químico.
Acadêmica cruza o Rio Grande do Sul
O mercado de trabalho também
influenciou a escolha de Adriana Graziadei
Jacques, 21 anos, pela UCS.
Ela cursava Direito no Campus da
PUC-RS em Uruguaiana, sua cidade
natal, e, desde 2009, está estudando
em Caxias do Sul. Atualmente, é estagiária
no Ministério Público Estadual.
A acadêmica, que está no último ano
do curso, sonha em seguir carreira
como promotora de justiça.
Quando chegou em Caxias do Sul,
Adriana não conhecia nenhum colega.
Mas bastaram poucos dias para
que ela começasse a se enturmar e
fazer novos amigos. "Quando me
transferi para cá, percebi a imensidão
de pessoas que a Universidade proporciona
que se conheça. Como existe
oferta de diversas turmas e turnos,
sempre vem chegando gente nova
para fazermos amizade", relata. A estudante
aproveita a Cidade Universitária
inclusive nos finais de semana,
quando vem tomar chimarrão.
O único problema para ela é a distância
de casa. Quando pode, Adriana
enfrenta os cerca de 750 quilômetros
que separam Uruguaiana de Caxias
do Sul para visitar os pais e amigos.
"De carro, a viagem costuma durar
em torno de nove horas. Mas de ônibus,
levo aproximadamente 12 horas,
pois preciso me deslocar primeiro até
Porto Alegre", observa.
De toda essa experiência, ela também
destaca as diferenças culturais
entre a região da fronteira e da Serra
Gaúcha. "O que mais me chama a
atenção é que várias pessoas utilizam
palavras do dialeto vêneto na linguagem
do dia a dia. Quando volto para
casa, meus pais adoram que eu fale
as palavras novas que aprendo por
aqui", revela.
Mobilidade também é regional
Enquanto alguns alunos fazem
centenas ou milhares de quilômetros
para estudar na UCS, para Felipe Augusto
Tondo, 22 anos, bastam 30. Ele
mora em Pinto Bandeira, município
próximo a Bento Gonçalves, e estuda
no Campus Universitário da Região
dos Vinhedos - CARVI. O estudante
se desloca de carro ou de ônibus,
meio de transporte bastante utilizado
por centenas de alunos que estudam
no local. São pelo menos sete associações
de estudantes - dos municípios
de Veranópolis, Garibaldi, Barão,
Nova Prata, Nova Bassano, Salvador
do Sul e Monte Belo do Sul - , que se
organizam para, entre outras ações,
facilitar o deslocamento dos acadêmicos.
"Se eu precisasse me deslocar
para mais longe para estudar seria difícil.
Ter um campus da Universidade
aqui em Bento Gonçalves, pela proximidade,
menores custos e desgaste,
é uma grande vantagem para quem
mora na região", destaca Felipe.
Ele cursa o nono semestre de Engenharia
Elétrica e escolheu o curso,
principalmente, porque abre um
grande campo de aplicações e oportunidades.
"O que mais me chama a
atenção na Universidade é a sua estrutura,
seus laboratórios, biblioteca
e qualificação dos professores", conclui
o estudante.
Foto: Felipe é um centenas de alunos que se deslocam dos municípios vizinhos para estudar em Bento
Boas-vindas e informações aos estudantes de longe
Os alunos que chegam à UCS de outras cidades, estados ou países
podem obter informações sobre assuntos referentes à vida
acadêmica, transporte, indicações sobre moradia e vagas de estágios
na Central de Atendimento, na Galeria Universitária.
Telefones: (54) 3218.2322, 3218.2152 e 3218.2800.
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Nos planos de estudantes de todo o Brasil
Os números do Vestibular de Verão 2012 da UCS apontam que o
concurso teve inscritos de todas as regiões do país. O Rio Grande do
Sul concentrou o maior número: 7.818 vestibulandos. Santa Catarina
veio em segundo lugar com 177 estudantes. Em terceiro, o Paraná,
com 130 inscritos. A Universidade recebeu candidatos de 20 estados
brasileiros.
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Fotos: Daniela Schiavo e Jonas Ramos

Revista ATOS & FATOS - Publicação mensal da Universidade de Caxias do Sul, de caráter jornalístico para divulgação das ações e
finalidades institucionais, aprofundando os temas que mobilizam a comunidade acadêmica e evidenciam o papel de uma Instituição de
Ensino Superior.
O texto acima está publicado na segunda edição da Revista ATOS & FATOS que já circula nos campi e núcleos.
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