ECONOMIA: O preço nosso de cada dia.

Entre as atividades do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais - IPES, destaca-se o cálculo mensal do valor da Cesta Básica em Caxias do Sul, atividade que é desenvolvida há quinze anos.

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Tomar chimarrão é um hábito comum aos gaúchos. Existem pessoas que não o tomam com grande frequência, mas sempre têm em casa todos os itens necessários para fazê-lo: cuia, bomba, água quente e erva-mate. O chimarrão é tão comum aos gaúchos, que a erva-mate se tornou item da cesta básica das famílias de Caxias do Sul. O que não ocorre em outros estados brasileiros, por exemplo. Como todo item que compõe a Cesta Básica, o produto comum a todos os gaúchos também sofre variações de preços. Para se ter uma ideia, nos últimos 15 anos o valor médio do produto passou de R$ 1,82 em setembro de 1997, para R$ 5,25 em maio de 2012. Esses números foram obtidos em pesquisas desenvolvidas mensalmente pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPES), criado pela Universidade, em 1996. Desde a sua criação, o IPES realiza pesquisa sobre a Cesta de Produtos Básicos da cidade, composta por 47 produtos. Todos os meses, bolsista do Centro de Ciências Econômicas, Contábeis e Comércio Internacional visita cinco supermercados e coleta valores referentes à última semana de cada mês.

A origem dos itens pesquisados
Para compor a lista de produtos que fazem parte da Cesta, foi aplicado entre 2006 e 2007 um questionário para 436 famílias, o qual identificou hábitos de consumo como tipo de produto, marca, quantidade e local de suas compras. Essas informações compõem a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). Foi essa pesquisa que identificou os hábitos alimentares de famílias de Caxias do Sul, apontando, por exemplo, além da erva-mate, itens como capeletti (agnoline) e salame, como integrantes da Cesta Básica. Os produtos que compõem a cesta são os que apresentam maior participação nos gastos totais das famílias nos grupos de produtos da Alimentação, Higiene Doméstica, Higiene Pessoal, Fumo e Combustíveis Utilizados no Lar, representando o custo de um ‘rancho’ para uma família média”, explica a professora Maria Carolina Rosa Gullo, diretora do Centro de Ciências Econômicas, Contábeis e Comércio Internacional e do IPES.

A coleta de preços
Com uma lista de produtos a bolsista do IPES coleta preços dos produtos que vão compor a cesta. Essa tarefa está sendo cumprida pela aluna do quinto semestre do curso de Ciências Econômicas, Iasmin Cardoso Gossenheimer (foto ao lado). Para a pesquisa, a bolsista se organiza para não efetuá-la em dias de maior movimento nos supermercados, como as quartas-feiras, já que muitos estabelecimentos fazem promoções. "Geralmente, procuro ir nas primeiras horas da tarde nas segundas e terças-feiras", conta a acadêmica que circula pelos corredores dos supermercados. De cada item, Iasmin anota três valores diferentes: o maior, o menor e o preço médio. Através desses números, é possível fazer uma média de valores do mesmo artigo, do estabelecimento e, depois, do total.

Estudo aponta mudanças de comportamento
A primeira Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), feita entre os anos 1994 e 1995, buscou obter informações para serem utilizadas como base para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Essa pesquisa é realizada mensalmente pelo Instituto e divulga a inflação dos últimos 30 dias. Como a POF abrange comportamento, hábitos e preferências, é possível analisar as mudanças obtidas fazendo uma comparação com o segundo levantamento, realizado em 2006 e 2007. "Da primeira para a segunda POF, verificou-se que fazer as refeições fora de casa passou a integrar parte do orçamento das famílias. Isso decorre da mudança de comportamento da sociedade, no caso das mulheres, que cada vez mais estão no mundo do trabalho e, muitas vezes, não têm tempo para fazer almoço em casa", destaca a professora Maria Carolina.

Fabricantes alteraram suas rotinas produtivas
Como a POF tem um estudo-base feito há pouco mais de seis anos, muitas alterações podem ser notadas. "Na tabela que utilizo para fazer a coleta dos preços, consta a lata de achocolatado em pó de 500g. Porém, hoje as empresas não fabricam mais embalagens com essa quantidade de produto. Só encontramos nas prateleiras dos supermercados o produto com 490g, por exemplo", detalha Iasmin. A professora Maria Carolina explica que os fabricantes adotam estratégias diferentes que levam a novos itens ou aos mesmos, porém, com embalagens diferentes e que podem agregar valor ao produto. "Ou ainda, a competitividade entre eles faz com que se diminua a embalagem, para não mexer no preço e assim parecer que não houve aumento nos valores. É pura estratégia", analisa.

Fotos: Daniela Schiavo


Revista ATOS e FATOS - Publicação mensal da Universidade de Caxias do Sul, de caráter jornalístico para divulgação das ações e finalidades institucionais, aprofundando os temas que mobilizam a comunidade acadêmica e evidenciam o papel de uma Instituição de Ensino Superior.

O texto acima está publicado na quinta edição da Revista ATOS e FATOS que já está sendo distribuída nos campi e núcleos.

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