Programa de Agroindústria rende bons frutos.

Cursos já capacitaram quase 4 mil produtores rurais, técnicos e trabalhadores em agroindústrias

Maria Aparecida da Silva Bernardi nos recebe com um sorriso tímido no rosto em sua pequena propriedade, localizada em Travessão Carvalho, em Otávio Rocha, no interior de Flores da Cunha. Apesar de viver há 30 anos no Rio Grande do Sul, o sotaque piauiense da agricultora encontra vazão no seu "Boa tarde". O pouco da timidez se desfez ao ver um conhecido: o professor Ricardo Capelli, coordenador dos cursos do Programa de Agroindústria , que acompanha a equipe da Área de Imprensa da UCS.

A incursão inicia pela plantação de mirtilo ou blueberry, fruta rica em antioxidantes cultivada há cerca de cinco anos na propriedade por indicação de um parente. Na volta do pomar, a parada foi na agroindústria criada pela Cursos já capacitaram quase 4 mil produtores rurais, técnicos e trabalhadores em agroindústrias família Silva Bernardi depois de Maria Aparecida fazer, em 2010, os cursos de "Boas práticas de fabricação" e "Processamento de frutas e hortaliças", oferecidos pelo Programa de Agroindústria, uma parceria entre UCS, Fepagro, Emater e Prefeitura Municipal de Caxias do Sul.

"Diziam que a exportação dessa fruta rendia bem, mas não foi bem assim. Logo após as primeiras colheitas, o dólar caiu, o frete encareceu e tivemos que estocar a produção. Resolvi fazer chimias pra vender e passei a ganhar bem. Por isso, busquei a qualificação e criamos a nossa agroindústria", lembra Maria Aparecida.

No espaço, a produtora rural faz compotas e geleias caseiras, não só de mirtilo, mas também de uva, figo, goiaba, maçã, laranja. Frutas essas que o marido Luiz cultiva para a fabricação dos Doces Silber. Os filhos adolescentes, Antonio Luiz e Carlos Henrique também participam do processo, recebendo os turistas que visitam o distrito de Otávio Rocha - onde reside a família - e comercializando os produtos em feiras. O mirtilo produzido na propriedade é orgânico e possui um selo concedido pela Rede Ecovida de Agroecologia, atestando a produção ecologicamente correta. É possível encontrar os frutos em fruteiras de Flores da Cunha e hipermercados de Caxias do Sul, além de serem vendidos diretamente para o consumidor.

Ao final da visita, a agricultora ainda ofereceu algumas de suas iguarias para degustação. A alternativa foi experimentar o sabor da chamada "fruta da longevidade", como o mirtilo é conhecido.

Entidades trabalham em conjunto

Maria Aparecida é uma das 3.800 pessoas capacitadas pelo Programa de Agroindústria, que teve seu surgimento em 1992, dentro das prioridades estabelecidas pelo Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra – Corede Serra, visando a qualificar pequenos produtores rurais ligados à agricultura familiar.

A ideia da implantação do programa surgiu em virtude de a Serra Gaúcha ser o maior polo produtor de hortifrutigranjeiros do Rio Grande do Sul. "Em determinadas épocas do ano, uma grande quantidade de produtos vai para o mercado e causa uma superoferta, gerando queda nos preços. Mas, se os produtores direcionarem parte dessa produção para a industrialização, podem dar um aproveitamento melhor aos produtos em excesso, evitando o desperdício e obtendo maior valor", avalia o professor Ricardo Capelli.

Quatro entidades então uniram esforços para instituir o programa: Universidade de Caxias do Sul, Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS) e Prefeitura de Caxias do Sul. Dessa união surgiu o Centro de Treinamento de Fazenda Souza (Cefas), onde são ministrados os cursos teórico-práticos visando à melhoria dos produtos consumidos, como frutas, hortaliças e laticínios.

"Além dos conteúdos práticos, responsáveis por 80% da carga horária do curso, e teóricos sobre a fabricação de produtos, são repassados conhecimentos referentes à legislação dos produtos e sua comercialização, bem como orientações sobre a infraestrutura necessária para montagem de agroindústrias", explica Capelli.

Localizado no distrito de Fazenda Souza, em Caxias do Sul, junto à sede da Fepagro, o Cefas oferece infraestrutura para atender a cerca de 30 alunos com alimentação e hospedagem. Desde o início das atividades, em 1996, já foram realizados cerca de 400 cursos para participantes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, Distrito Federal, de São Paulo e da Bahia, além de alunos de países como Argentina e Angola. O Programa de Agroindústria possui um calendário de cursos que são realizados mensalmente.

Fotos: Daniela Schiavo



Revista ATOS e FATOS - Publicação mensal da Universidade de Caxias do Sul, de caráter jornalístico para divulgação das ações e finalidades institucionais, aprofundando os temas que mobilizam a comunidade acadêmica e evidenciam o papel de uma Instituição de Ensino Superior.

O texto acima está publicado na quinta edição da Revista ATOS e FATOS que já está sendo distribuída nos campi e núcleos.

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