Docência em trajetórias distintas, unidas pelo mesmo objetivo: o ensino que transforma

Assessoria de Comunicação da Universidade de Caxias do Sul - 14/10/2026 | Editado em 14/10/2026

Conheça as experiências de professores da UCS, com vocações vivenciadas em áreas do conhecimento e períodos específicos

No calendário acadêmico, o Dia do Professor, comemorado em 15 de outubro, se destaca como data de relevância para as instituições de ensino. As universidades brasileiras aproveitam a ocasião para reconhecer o papel transformador da docência que, no Ensino Superior, está associado à pesquisa, inovação, extensão comunitária e ao desenvolvimento do país. “A docência nos captura”, aponta Emerson Rodrigues da Silva, professor do curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul há mais de 19 anos. Natural de Porto Alegre, ele atuava como pediatra no Hospital São Lucas da PUCRS e no Hospital Moinhos de Vento, quando, nos anos 2000 decidiu residir em Caxias do Sul para acompanhar a esposa Cláudia, que assumiu o cargo de juíza de Direito, em Farroupilha.

Emerson Rodrigues da Silva: “a docência nos captura”

A constatação de Emerson reflete sua escolha profissional: ele preferiu deixar o consultório médico para se dedicar às salas de aula, onde transforma o conhecimento científico da medicina na prática do ensino, seja como professor ou na mentoria de estudantes e egressos. “Buscamos sempre fazer melhor, adaptando-nos às mudanças da profissão e de suas especialidades, levando não somente ensinamentos técnicos, mas comportamentais, de hierarquização e condutas éticas”, disse, ao lembrar que o professor também é observado. É o chamado currículo oculto na formação, que implica na responsabilidade da docência pelo fato do profissional ser visto como modelo. Com doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente, Emerson diversificou experiências na UCS, onde já foi coordenador do curso, participou de colegiados, comitês de ética e programas de pós-graduação. Hoje, aos 53 anos, continua atuante no programa de Mentoria e como orientador dos acadêmicos em atividades práticas na UBS Diamantino. Ele sente orgulho em dizer que não há familiares seus que já não tenham sido atendidos por ex-alunos de Medicina. “Sempre indico quando solicitam recomendações, e é uma alegria acompanhar o retorno sobre a qualidade do atendimento prestado”, comenta. Para Emerson, a humanização deveria caminhar ao lado dos avanços tecnológicos em diagnóstico e serviços, “pois trabalhamos com pessoas, que não podem ser tratadas como linha de produção”, complementa.

Além das disciplinas tradicionais, o professor revela gostar do processo de orientação e aconselhamento dos alunos, durante os últimos semestres da graduação. “É a fase na qual começam a optar pelas especialidades médicas. Quando percebo que alguns ficam angustiados, sugiro que priorizem o que realmente gostam e faça sentido real para suas vidas”, argumenta, citando a conhecida frase de Mark Twain, pseudônimo do escritor e jornalista Samuel Langhorne Clemens, autor de “As Aventuras de Tom Sawyer”: Os dois dias mais importantes da sua vida são o dia que você nasceu e quando descobre o porquê.

De estudante à docência

A trajetória de Marina Benato na UCS começou em 2010, com seu ingresso no curso de Ciências Contábeis, viabilizado com uma bolsa integral de estudos do PROUNI. De família simples do interior de São Marcos, desde cedo ela diz ter sido incentivada, principalmente pela mãe, a investir nos estudos para conquistar a independência financeira. Após a graduação, especializou-se em Análise Estratégica de Custos, quando conseguiu bolsa de 50% a partir de parceria entre a UCS e CIC Jovem de Caxias do Sul. “Tive nota máxima no meu TCC, o que propiciou este auxílio”, lembra ao destacar as bolsas de pesquisa CAPES para realização do seu mestrado e no doutorado em Administração, que deverá ser concluído em 2026.

Marina Benato: “a UCS e os estudos tiveram uma contribuição valiosa na minha formação”

Em 2023, foi convidada pela coordenadoria do curso de Ciências Contábeis para substituir um professor, por motivos de saúde, o que condicionou o seu ingresso na docência, junto à Área do Conhecimento de Ciências Sociais. Atualmente, Marina tem se dedicado à condução de nove disciplinas e coordena a pós-graduação em Custos, Pricing e Data Analytics. “A Universidade e os estudos tiveram uma contribuição valiosa na minha formação, especialmente por proporcionar novas perspectivas profissionais, chegar à docência e crescer pessoalmente”, acrescenta. Aos 34 anos, Marina considera que, como professora, está em processo de construção, no qual os aprendizados são constantes e imprescindíveis. “O conteúdo é bastante técnico, envolvendo cálculos e aspectos da legislação. Por isso, busco alternativas para torná-lo mais atraente e compreensível, respeitando a evolução das dinâmicas de ensino e o perfil dos estudantes, que também mudou e não se caracteriza somente por concluintes do Ensino Médio”, informa.

A estratégia de adequar a metodologia das disciplinas, focando nas necessidades e melhor aproveitamento das turmas já rendeu bons resultados à Marina, em apenas três anos de docência. Em 2024, foi uma das professoras homenageadas na graduação de Ciências Contábeis, ao ser indicada por alunos de sua primeira turma na universidade, sendo que alguns, posteriormente, foram seus orientandos nos trabalhos de conclusão de curso (TCC). Ela confirma ter sido bem acolhida pela UCS, colegas e acadêmicos. “Sempre tive muito apoio, desde meus orientadores e coorientadores de mestrado e doutorado, e agradeço a parceria da equipe de Ciências Contábeis. Em salas de aula, as trocas feitas com os estudantes, compartilhar vivências e vê-los avançar, assim como o relato de alguns sobre o interesse de levar os ensinamentos para suas atuações profissionais é muito gratificante”, ressalta. Para o futuro, ela não descarta a atuação em consultoria em aspectos gerenciais e de custos.

Permanência das coisas delicadas

Prestes a completar 35 anos no Ensino Superior, o artista plástico e professor dos cursos de Moda e Artes Visuais, Sérgio Lopes, está se preparando para vivenciar uma jornada inversa: a despedida da docência. “Esse processo foi gradual e muito bem pensado. Meu trabalho sempre esteve centrado nas artes e no design, o que chegou depois foi decorrente. Não há como dissociá-lo de minhas atividades em salas de aula”, disse, recordando sobre sua iniciação precoce, aos 13 anos, no Atelier Livre, quando até ganhou uma menção honrosa em sua exposição de estreia.

Sérgio Lopes: “ser professor é uma experiência rejuvenescedora”

Graduado em Educação Artística na UCS, Lopes foi convidado pela pesquisadora e artista multimídia Diana Domingues para ministrar uma aula no Atelier Livre. E quando o então curso de Tecnologia em Moda e Estilo – hoje, o Bacharelado em Moda – começou a ser delineado, Lopes foi novamente chamado a fazer parte do corpo docente. Na ocasião, residia em Porto Alegre, onde desenvolveu um curso de Desenho de Moda, a partir de parceria com o Senac. “Ser professor é uma experiência rejuvenescedora, assim como nos requer muito tempo e comprometimento”, revela.

Entre mostras culturais, trocas de ideias e orientações com alunos, preparação de conteúdos e, como ele denomina, “pequenas sensibilidades construídas ao longo de um período dedicado ao ensino”, Sérgio Lopes quis marcar sua despedida de uma forma especial. Por isso, criou oito obras em acrílico sobre tela, em preto e branco, retratando crianças e animais, que, segundo o professor, são personagens silenciosos que ocupam um espaço entre o tempo e a memória. Os quadros compõem a exposição A Permanência das Coisas Delicadas: Pinturas sobre memória e despedida até o dia 21 de outubro, na Galeria de Arte Elyr Ramos Rodrigues, no Bloco J do Campus-Sede. “É uma ‘querideza’ na qual quis registrar os vínculos, olhares, aprendizados. Uma parte do adeus que não precisa carregar tristeza, mas agradecimento por ter feito parte”, cita, ao destacar que o artista nunca se aposenta. Prova disso são os projetos a partir de dezembro de 2026, data do seu encerramento de ciclo. “Tenho programado exposições individuais em Porto Alegre e Caxias do Sul no próximo ano, além de continuar participando de mostras em São Paulo e Foz do Iguaçu (PR), locais que gosto muito! Viagens de estudo estão sempre em pauta e, quem sabe, cursos esporádicos sobre arte, um tema muito presente em minha vida”, prospecta. E as saudades das bancadas universitárias? “A UCS e eu construímos uma bela parceria”, finaliza, com a espirituosidade que lhe é característica.

Fotos: Bruno Zulian