Jakson Follmann conduz palestra que evidencia importância da gratidão pela vida
Evento integrou a programação da 1ª Semana de Inclusão e Diversidade da Universidade de Caxias do Sul
Um vídeo com a simulação do acidente aéreo que vitimou representantes da imprensa, dirigentes e o time de futebol da Chapecoense a caminho da disputa da primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, da Colômbia, há quase 10 anos, foi contraponto para a interpretação do ex-atleta profissional Jakson Follmann do sucesso de Raul Seixas, “Tente Outra Vez”, no início da palestra motivacional Tocando em frente. A atividade que integrou a Semana de Inclusão e Diversidade foi dedicada exclusivamente ao público interno das mantidas da Fundação Universidade de Caxias do Sul – UCS, Hospital Geral, UCSfm e CETEC – dia 15 de outubro. Os participantes puderam escolher entre dois horários, no UCS Teatro, para assistir ao ex-goleiro que, no auge da carreira, perdeu seu principal instrumento de trabalho e transformou sua história em uma mensagem sobre reinvenção e gratidão pela vida.

Os motores desligaram, as luzes apagaram e o avião bateu na montanha Cerro Gordo, com mais de 2,6 mil metros, no intervalo de 50 segundos, conforme Follmann, ao lembrar apenas do último abraço de seus pais e do beijo de despedida da esposa Andressa, antes de embarcar. “Valorize a simplicidade! Não deixe nada para amanhã, pois tudo o que parece normal tem muito valor”, apontou. Último dos seis sobreviventes a receber alta hospitalar, após 56 dias internado, Follmann viu sua vida mudar em instantes, passando a traçar sua jornada de superação sob três pilares fundamentais: desconstrução, reconstrução e paciência. A dor, o cansaço e o medo de enfrentar o futuro, precisando abandonar a vocação iniciada como atleta de base no Grêmio, não foram suficientes para que ele desistisse. “Tive que reaprender a caminhar, quando o que eu mais queria era voltar a ficar em pé. Tenho saudades do futebol, sim, mas encaro como um ciclo encerrado que deu lugar para outro começar. Muito mais que problemas, existem situações que precisamos transpor”, sinalizou, evidenciando seu otimismo e determinação. “Trabalhem a gratidão dentro de vocês. Reclamar não leva a lugar algum”, completou.
Entre o breve relato sobre sua carreira – que incluiu a passagem pelo Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul, onde se destacou na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2010, antes de chegar à Chapecoense, em 2015 – Follmann alternou na palestra momentos de emoção e de muito bom humor. “Sou um sertanejo-raiz”, provocou, ao dedilhar no violão o clássico de Renato Teixeira e Almir Sater, que deu nome a sua palestra. Foi aí que ele revelou seu segundo maior sonho, além de ser esportista. Natural de Alecrim, na fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul, Follmann admite que vem de uma família que gosta de cantar, sem receio de publicar as investidas artísticas nas redes sociais. Não demorou a ser convidado a participar do programa dominical Popstar, da Rede Globo, tornando-se o vencedor da edição de 2019. Orgulhoso da empreitada, compartilhou com o público do UCS Teatro o seu mais recente clipe musical, da canção “Vestido de Flor”, protagonizado pela esposa.

“Minha vida é uma sucessão de eventos raros”, salientou, ao confessar ter poucas lembranças do acidente, que lhe deixou outro reflexo incômodo: o medo de voar. Quando viaja para cumprir compromissos profissionais, Jakson Follmann dá preferência aos voos diurnos. Isso, porém, não o impede de continuar levando a vida com leveza, sempre próximo das pessoas que ama, a exemplo dos pais, da esposa e do filho Joaquim, de seis anos. Sua mais recente criação, em parceria com o jornalista e amigo Marco Aurélio Souza, é o livro “A Vida Depois da Queda”, abordando a infância, a carreira como jogador de futebol, o acidente aéreo, os dias de internação, sua reinvenção – conforme ele denomina – e a atual jornada como empresário, pai de família e pessoa com deficiência. “Os PcDs também querem ajudar, sentirem-se úteis e não, somente, serem ajudados. A melhor forma de acolhimento é informar-se sobre o tema, respeitar as peculiaridades. Diferenças fazem parte dos nossos dias”, observou.
Após interagir com o público respondendo algumas perguntas, Follmann encerrou a palestra ao som da canção “Paciência”, de Lenine, e seus sugestivos trechos: mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma; até quando o corpo pede um pouco mais de alma; a vida não para.
Representação
A palestra Tocando em frente contou com as boas-vindas do presidente da FUCS, Bira Rezler; do reitor da UCS, Asdrubal Falavigna; da diretora do Hospital Geral, Daniele Meneguzzi; da diretora do CETEC, Ana Cristina Possapp Cesa; do diretor da UCSfm, Sandro Padilha, e a presença de pró-reitores, diretores de área, gestores administrativos e demais autoridades acadêmicas. Todos ressaltaram a proposta da Semana de Inclusão e Diversidade como oportunidade de reflexão para construir uma sociedade mais justa, igualitária e respeitosa. O encontro teve transmissão simultânea pelo canal da UCS no YouTube, tradução em Libras e recurso de audiodescrição. Jakson Follmann também foi presenteado pelos representantes da FUCS, UCS, Hospital Geral, CETEC e UCSfm e pela equipe da Associação de Pais e Amigos do Futebol (APAFUT), que tem o apoio da Universidade.

Infância de todas as idades
A abertura da Semana de Inclusão e Diversidade foi marcada pelo concerto gratuito e aberto ao público que lotou o UCS Teatro na noite de 14 de outubro: Infância de todas as idades. A Orquestra Jovem UCS LionsEduC, a Orquestra Acadêmica da UCS e o Coral Vívere fizeram uma apresentação conjunta, reunindo mais de 100 músicos e cantores no palco. Sob a regência do maestro Fábio Alves (orquestras) e da maestrina Aline Giacomet (coro), foram interpretadas músicas que atravessaram gerações. A soprano Karina Dante participou de algumas delas.

Fotos: Bruno Zulian
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