Obras de formandos de especialização em Artes Visuais compõem exposição na UCS
Dez artistas apresentam suas criações do Trabalho de Conclusão na Galeria de Arte Elyr Ramos Rodrigues até 1º de agosto
As pesquisas desenvolvidas pelos 10 formandos da 3ª edição da Especialização em Artes Visuais: Pensamento e Produção Contemporâneos, coordenada pela professora Mara Galvani, se transformaram em produções artísticas com temas propostos pelos alunos e constituem uma exposição com os trabalhos dos concluintes, sob orientação das docentes Silvana Boone e Mara Galvani. Os participantes são: Camila Maria dos Santos, Gabriel Marques, Gelson Soares, Juliana Desconsi, Lilo Luchese, Maicon Dorigatti, Márcio da Silveira, Maurício Morandi, Patrícia Bado e Thiago Quadros. A abertura ao público ocorre dia 17 de julho, sexta-feira, às 18h, e a visitação será de 20 de julho a 1º de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h, na Galeria de Arte Elyr Ramos Rodrigues, no Bloco J – Campus-Sede da Universidade de Caxias do Sul.

A série Doce degradação, de Camila Maria dos Santos, surge do contraste de ideias relacionadas aos conceitos entre belo e feio que compõem a natureza humana, especificamente aos conflitos entre consciência social e instinto, inocência e crueldade, delicadeza e brutalidade. A artista retrata cenas fortes de caça e decomposição de animais, por meio da personagem autoral Aoi-chan.
Campos Neutrais é a série de desenhos produzida por Gabriel Marques, após revisitar seu acervo de família, retomar seus estudos acerca do desenho contemporâneo e ler “A Estética do Frio”, de Vitor Ramil. Gabriel também constrói um mapa sobre o verso de postais de cidades do Rio Grande do Sul.
Em Páginas Habitadas, o livro da artista Juliana Desconsi em lixas industriais, costuras, pintura e spray deixa de ser compreendido como objeto de leitura e passa a operar como espaço-tempo. Construído a partir de lixas industriais articuladas em uma sequência, a obra propõe um deslocamento da ideia do livro e do habitar. Com o manuseio, as páginas continuam atritando entre si e produzindo vestígios por meio dos grãos que se soltam, mantendo a obra em constante mudança.
Território Interdito, de Gelson Soares, em serigrafia sobre pintura acrílica, é originária das investigações e inquietações do artista referentes à ancestralidade, identidade, diáspora e apagamento. A obra indica que o corpo negro continua permeado por processos históricos de controle, restringindo sua presença e visibilidade. O ‘território’ se configura como espaço de conflito permanente, no qual pertencimento, identidade e poder são mediados.

A obra de Lilo Luchese é composta pela ‘Zine para Manifestar’, pelo ‘Atlas para Manifestar’ e pelo livro do artista ‘Manifesto para Arte-Educar’. No livro, Lilo diz estar fisicamente na escola, onde leciona para cerca de 300 crianças e adolescentes da rede municipal de Caxias do Sul. No ‘Manifesto para Arte-Educar’, ele questiona: Nesse mar de experiências, descobertas e investigações, o que me é permitido? O que é permitido às crianças e aos adolescentes?
A obra de Maicon Dorigatti reflete o urbano, sua versatilidade e vivências no espaço, sua interpretação de ruídos e silêncios. Faz referências às camadas da sociedade, a depreciação e decadência das relações: o não durável, o quebrável, o que o tempo corrói e desmancha, até o seu fim, seja físico/material ou social/emocional. Enquanto a tela, em acrílico e gesso sobre tecido Conceito Urbano é presa à parede, a litografia e grafite sobre papel e tecido (frente e verso) Impressões Citadinas é suspensa por fios, permitindo que três dimensões sejam vistas.

Ausência, de Márcio da Silveira, é apresentada como campo de investigação onde a experiência do vazio se torna matéria estruturante. Desde sua concepção, a obra se organiza como um dispositivo que desloca o espectador da posição tradicional de observador passivo e o insere em uma situação de presença corporal. Ela não busca oferecer respostas, mas instaurar um campo fértil de questionamentos em que o vazio não é ausência de conteúdo, mas potência organizadora.
Maurício Morandi toma emprestada a expressão popular Ossos do ofício para mostrar quatro obras da série formada por colagem, costura e grafite sobre papel. Além dos desenhos em grafite sobre papéis de plantas baixas do Vale do Taquari, região afetada pelas enchentes de maio de 2024, a linha de costura também se apresenta como componente gráfico, mas sob as vestes de uma sutura, procedimento que visa fechar feridas e curar.
Em O Riso da Medusa, Hélène Cixous propõe uma inversão na história ocidental de um dos monstros mais conhecidos da mitologia, não definindo-a como horrível, nem ameaçadora. Medusa é bela e ri da fragilidade de um sistema que transforma mulheres livres em monstros, simplesmente porque elas recusam papéis que lhes foram destinados. A partir dessa compreensão, Patrícia Bado criou a fotomontagem digital e objeto têxtil com estampa, sob o mesmo título da obra de Cixous. Nela, o corpo, a imagem e a estampa não aparecem como elementos independentes, porém são partes de uma mesma experiência.
Espaço-Fronteira se refere a uma série de trabalhos em performance, foto-performance e vídeo-performance, na qual Thiago Quadros utiliza seu corpo como tática. O corpo constrói um espaço de ambiguidade e estranhamento em comparação às ações lógicas, produtivas ou utilitárias, as quais nos submetemos diariamente. Na exposição, a série é composta pela foto-performance e banco de plástico Espaço-Fronteira: Ponto de Vista; pela foto-performance Espaço-Fronteira: Cuidado Frágil e pela vídeo-performance Espaço-Fronteira: Lugar Nenhum.

Serviço
O quê: exposição dos trabalhos dos concluintes da 3ª turma da Especialização em Artes Visuais – Pensamento e Produção Contemporâneas, com os artistas Camila Maria dos Santos, Gabriel Marques, Gelson Soares, Juliana Desconsi, Lilo Luchese, Maicon Dorigatti, Márcio da Silveira, Maurício Morandi, Patrícia Bado e Thiago Quadros, sob orientação das professoras Silvana Boone e Mara Galvani.
Onde: Galeria de Arte Elyr Ramos Rodrigues, no Bloco J do Campus-Sede da UCS
Quando: Abertura no dia 17 de julho, às 18h e visitação de 20 de julho a 1º de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h
Quanto: entrada franca
Como: aberta ao público. Visitas de escolas e grupos devem ser agendadas pelo telefone (54) 3218-2100 – Ramal 3106, com Sandra ou Silvana, ou pelos e-mails: srvarela@ucs.br ou sgervaso@ucs.br
Fotos: Acervos dos artistas
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