Documentário registra as histórias das escolas-abrigo nas enchentes do RS
Narrativa de desabrigados e voluntários retrata papel social transformador das escolas nas comunidades das regiões Metropolitana, Vale do Sinos e Serra Gaúcha
As enchentes de maio de 2024 foram consideradas o maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul, atingindo mais de 6 milhões de pessoas em 478 municípios. O evento climático foi marcado por traumas, perdas humanas e de bens materiais, mas também deixou aprendizados de superação e resiliência comunitária. É esse outro olhar que o documentário Memórias que a água não levou: escolas-abrigo nas enchentes do RS (2024) aborda, reunindo memórias das experiências de educadores, estudantes, voluntários e famílias desabrigadas, principalmente das regiões Metropolitana, Vale do Sinos e Serra Gaúcha.
O documentário será lançado no dia 14 de julho, terça-feira, às 18h, no Teatro Municipal de São Leopoldo, com apoio da Secretaria Municipal de Educação e entrada franca, a partir de confirmação prévia neste link.
A produção faz parte do projeto coordenado pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul José Edimar de Souza, resultante do trabalho Histórias da Escola: Modos de recompor identidades em contextos de desastres climáticos, vinculado ainda ao subprojeto orientado na pesquisa de pós-doutorado de Elisângela Cândido da Silva Dewes. Desenvolvido nos últimos dois anos, o documentário compreende investigação documental e entrevistas feitas por pesquisadores com famílias desabrigadas, que encontraram moradia temporária nas comunidades escolares, transformadas em escolas-abrigo. A partir da narrativa dessas pessoas que ficaram, em média, quatro meses em instituições das redes municipal, estadual e privada (educação infantil), bem como tiveram o auxílio de redes de apoio criadas pela comunidade voluntária, foi possível realizar uma releitura sobre esses locais. Eles não se restringiram a espaços para o desenvolvimento cognitivo e intelectual, mas representaram o único território seguro e de pertencimento às vítimas das enchentes. “Foi a oportunidade que se apresentou naquele período para as pessoas reorganizarem suas vidas, recuperarem a autoestima e resgatarem a capacidade resiliente de sobrevivência em meio ao caos”, ressaltou o docente, que contou com a parceria da pesquisadora Elisângela Cândido da Silva Dewes, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS e bolsista da FAPERGS, responsável pelo roteiro e editoração do documentário.
De acordo com José Edimar, na construção do projeto já havia a intenção de produzir um audiovisual para registrar as histórias das chamadas escolas-abrigo e o convite para Elisângela foi estratégico, considerando sua experiência na área da comunicação. “A produção contribuiu para fortalecer a memória coletiva e ampliar o debate sobre o papel das instituições de ensino diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, disse, ao informar a inexistência de qualquer documentação anterior sobre a tragédia no contexto das escolas transformadas em espaços de acolhimento.
No documentário, as comunidades escolares compartilham suas vivências sob a perspectiva de seus agentes, revelando os desafios cotidianos, a formação das redes de solidariedade, processos de cuidados coletivos e a importância da educação como instrumento de reconstrução social em situações de calamidade. Os relatos foram obtidos por meio de depoimentos e até mediante cartas escritas por estudantes voluntários de municípios como Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha e São Valentim do Sul, onde as entrevistas foram concentradas.
Abrangência do projeto
O documentário audiovisual Memórias que a água não levou: escolas-abrigo nas enchentes do RS (2024) constitui uma parte do projeto que teve recursos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), apoio da Universidade de Caxias do Sul (UCS) – por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e dos Programas de Pós-Graduação em Educação e em História – , e do Grupo de Pesquisa História da Educação, Imigração e Memória (GRUPHEIM), além da Metamorfose Filmes na parte técnica. Até o final de 2026, a equipe de pesquisadores prepara a conclusão de um livro com estudos sobre as enchentes. “A lição que se evidencia é a força que as escolas imprimem nas comunidades, cumprindo o seu papel tanto educativo quanto social. O olhar que nasce de uma tragédia e pode ser revigorado em solidariedade, ações colaborativas para a construção de estratégias de superação e de vida”, reitera José Edimar.
Na noite do lançamento, o filme poderá ser assistido por este link do YouTube.
Fotos: Agência RBS e Divulgação/UCS
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