Universidade de Caxias do Sul finaliza produção de equipamento de reabilitação para pacientes graves
Viabilizado por meio de edital da Finep, trabalho contou com pesquisadores de áreas distintas

A Universidade de Caxias do Sul recebeu nesta sexta-feira, dia 13, o resultado de um trabalho que teve cinco anos de duração. Após ser contemplada com um edital de tecnologia assistiva, no valor de R$ 3.019.200, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Instituição, em parceria com a empresa Zextec, desenvolveu o Autofisio 500. Oito unidades do equipamento de cinesioterapia foram alocadas na Clínica de Fisioterapia da UCS, no Bloco 70 do Campus-Sede.
O equipamento de cinesioterapia propõe a recuperação dos movimentos de membros inferiores de pacientes em condições de saúde mais graves, como os hospitalizados em UTI. O Autofisio 500, de forma automatizada, reproduz o movimento das pernas que seria realizado de maneira manual por um fisioterapeuta durante o tratamento. . Até o momento não há equipamento semelhante no mercado. Inicialmente, foram produzidas 10 unidades, e duas ainda passam por validação junto ao Inmetro. Finalizada esta etapa, o case de produção do Autofisio será apresentado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Concluída a validação, o equipamento estará disponível para uso em hospitais.
Integrante da equipe de desenvolvimento do projeto, o diretor técnico do Hospital Geral, Dr. Alexandre Avino explica que a partir da vivência como cirurgião passou a identificar condições críticas em pacientes internados por muito tempo em UTIs. “Acabam recebendo muito volume de líquido para ressuscitá-los clinicamente. Por isso, ficam inchados e permanecem imóveis. Somado a isso, a enfermagem e a fisioterapia têm que modificar a posição desses pacientes a cada duas horas para não ocorrer lesão. A partir disso, surgiu a proposta de um equipamento que fizesse uma movimentação passiva”.
Na solenidade de entrega dos aparelhos, o reitor da UCS, professor Gelson Leonardo Rech, enalteceu o resultado de um processo de inovação. “O conceito de inovação da Universidade é fruto da pesquisa e da ciência. São bem-vindas pessoas que querem inovar. A UCS nasceu para desenvolver a região pelo conhecimento, e isso ocorre quando há saúde e ensino e parcerias com empresas pujantes que têm produtos para vender”.

A equipe que trabalhou no desenvolvimento do equipamento contou com a coordenação do Dr. Avino, e a participação do professor de Engenharia Mecânica Alexandre Viecelli. Participaram ainda o coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (UCSiNOVA), Matheus Parmegiani Jahn, e a coordenadora do curso de Fisioterapia, Katiúcia Pezzi Corlatti. Mais três bolsistas também contribuíram no projeto.
Aplicação
O Autofisio 500 já é utilizado nas atividades acadêmicas da fisioterapeuta Fernanda Trubíán. Ela, que atuou como bolsista no projeto, concluiu o mestrado do Programa em Ciências da Saúde (PPGCS) da UCS e, no momento, faz o doutorado.
A aplicação é feita em pacientes com sequelas neurológicas, patologias ou algum tipo de lesão cerebral no Hospital Geral. A sessão varia entre 15 ou 30 minutos, conforme a quantidade de membros acometidos. “Faço uma avaliação pré e pós-sessão. Os relatos são de uma percepção de melhora instantânea ao caminhar. É importante salientar que quanto ao perfil do paciente com lesão cerebral, muitos são idosos que ficam sozinhos em casa e não conseguem fazer essa movimentação sem o auxílio de outra pessoa. Então, será muito importante ter o auxílio do aparelho, que futuramente pode chegar à casa das pessoas”, projeta.
Também participaram da solenidade de entrega do Autofisio a pró-reitora de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, Neide Pessin, e representantes da empresa Zextec.
Fotos: Bruno Zulian
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