Sinopse
Assistentes virtuais falam, escutam e respondem. Em nome da eficiência e da conveniência, a inteligência artificial de voz passou a mediar práticas de cuidado, acolhimento e orientação, modificando de modo silencioso a experiência da relação humana. O que se transforma quando a escuta assume forma algorítmica e o cuidado se expressa como performance técnica?
Este livro propõe uma análise filosófica da inteligência artificial de voz, compreendida como dispositivo normativo atravessado por gênero, poder e ética. Ao reconstruir genealogicamente o surgimento da persona artificial e examinar a feminilidade programada como operador central da mediação algorítmica, a obra demonstra que escolhas de design produzem implicações morais profundas.
A partir da articulação entre dignidade da pessoa humana e ética do cuidado, o livro sustenta que a automação encontra limites quando passa a ocupar o lugar da responsabilidade, do reconhecimento e da resposta ética. A técnica pode apoiar práticas humanas, ampliando condições de acesso e organização, desde que preserve a inteligibilidade da relação ética. Contra a redução da ética a ajuste técnico ou conformidade regulatória, a obra formula critérios normativos destinados a orientar decisões concretas sobre o design, o uso e os limites da inteligência artificial de voz.
Ao final, o leitor é convidado a deslocar a pergunta central: menos sobre como tornar sistemas mais eficientes, e mais sobre as condições em que a técnica pode intervir sem ferir o sentido ético das relações humanas. O texto encerra-se como um convite à reflexão crítica sobre o porvir da inteligência artificial e sobre as decisões que delimitam o espaço da técnica no tecido social.